domingo, maio 02, 2010

Amanhecer

Ele sentiu um aperto no peito e acordou assustado. Se ajeitou na cadeira de couro tentando fazer o mínimo de rangido possível. Levantou-se e se apoiou nos braços da cama do hospital, até que seu rosto ficasse bem próximo ao de Serena.
— Doe meu coração, tem quem precise muito dele — sibilou em um tom baixo, quase inauditível, enquanto abria os olhos aos poucos.
— Você precisa dele e vai continuar precisando durante muito tempo, querida — disse Alex abrindo um leve sorriso e acariciando o rosto da adolescente.
— Ah, eu sei que você sabe que estamos nos despedindo, aceite — deixou a cabeça cair para o lado, fazendo com que uma mecha de seu cabelo liso e ruivo caísse nos olhos.
— Mas eu não quero aceitar, eu preciso de você para viver. É por você que eu levanto todos os dias, não me deixe — ele pediu apertando a mão de Serena e tirando o cabelo do rosto dela.
— Terá que se levantar por você, porque amanhã eu não estarei mais aqui.
— Serena, mas por que? Me diz, por que tem de me deixar sozinho, sem o teu amor — lágrimas saiam incontrolavelmente de seus olhos, enquanto a menina continuava com uma expressão angelical.
— Minha missão acabou por aqui, a única coisa que estou tendo, é sofrimento. Conviver com essa doença durante 16 anos não foi fácil, preciso descansar. Meu coração está em boas condições, doe a quem precisa e cuide desse alguém, pois se tornará uma pessoa muito especial para você. Ela irá fazer com que o nosso amor continue vivo ¬— Serena sorriu novamente e piscou com muito esforço.
— Eu te amo muito e nunca vou te esquecer. Me mande sinais de que você ainda lembra de mim e ainda me ama — Alex deu um leve beijo na boca da jovem.
— O primeiro raio de luz no céu escuro ao amanhecer, será o meu sinal. Enquanto o sol nascer, eu te amo — ela deu seu último suspiro.

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